quarta-feira, 10 de julho de 2013

Explicando preços usando maçãs


Cada vez que eu vejo uma notícia de que o governo vai intervir em algum setor econômico, para forçar os preços para baixo ou para cima, ou, ainda, para barrar novos concorrentes, me dá calafrios. Primeiro porque sei que cada intervenção do governo significa preços mais altos, produtos e serviços piores, ou, simplesmente, desaparecimento total do produto/serviço. Segundo, porque sei que o brasileiro é ignorante demais para entender os reais efeitos das intervenções do governo; e, por não entender, dificilmente irão protestar contra tais intervenções.


Muitas pessoas não entendem como funciona o sistema de preços. Imaginam que os preços surgem do nada, que são inventados pelos empresários; ou, ainda, imaginam que os preços são imutáveis, e que não são afetados por fatores externos. Tem aqueles que acreditam que os empresários cobram preços altos porque são ruins, egoístas e gananciosos; ou que cobram preços baixos porque são bondosos e altruístas.

São pessoas como essas que protestam por serviços públicos gratuitos, carros mais baratos, direitos trabalhistas, congelamento de preços, entre outras medidas populistas que só servem para jogar as pessoas na pobreza. Por causa dessas pessoas, governos populistas se mantêm no poder, enquanto políticos realmente voltados aos interesses da população ficam no limbo do esquecimento.

Imaginando que muitas dessas pessoas lê o blog, resolvi fazer um texto explicando como funciona o sistema de preços. O texto a seguir vai esclarecer um pouco sobre o porquê de adotarmos uma orientação política anti-esquerda, e o porquê de intervenções governamentais só produzirem miséria. Espero que, ao final da leitura, você consiga enxergar intervenções do governo de outra forma.



COMO FUNCIONA O SISTEMA DE PREÇOS SEM INTERVENÇÕES GOVERNAMENTAIS




Uma frase muito comum que ouvimos quando se trata de preços é: se a demanda é maior que a oferta, o preço sobe; se a demanda é menor que a oferta, o preço desce.

Por que isso acontece?


Vamos pegar como exemplo um mercado de maçãs.




EXEMPLO 1: Imaginemos que o mercado de maçãs está funcionando com o preço a R$ 3,00 o kg. Significa dizer que, a este preço, o número de pessoas dispostas a comprar maçã é condizente com o número de maçãs disponível no mercado.

Se, por acaso, o número de maçãs no estoque diminui muito, o mercado fica em apuros, porque as pessoas continuam querendo comprar maçã. 

Então, para resolver este problema, o mercado aumenta o preço da maçã, na tentativa de espantar a maior parte das pessoas. As pessoas vão ver que o preço aumentou, e pensarão duas vezes antes de comprar maçã agora; a maioria vai desistir. As poucas que, mesmo com o novo preço, ainda quiserem comprar, terão maçãs em quantidade suficiente para atendê-las.

Veja que, no caso acima, o mercado aumentou o preço das maçãs não por ganância, ou egoísmo, ou vontade de lucrar em cima do desespero das pessoas. Ele só aumentou o preço porque NÃO HAVIA MAÇÃS PARA TODO MUNDO. Dá para dizer que o aumento do preço é como se o mercado estivesse dizendo: TEM POUCA MAÇÃ, PESSOAL. POR FAVOR, PAREM DE COMPRAR MAÇàE PROCUREM POR OUTRAS FRUTAS!





EXEMPLO 2: Imaginemos, agora, uma situação contrária: os produtores de maçãs tiveram uma safra excelente, e, agora, tem muita maçã disponível. O mercado, agora, está com o problema inverso: tem maçã demais, e ele precisa se livrar do excesso, antes que as maçãs apodreçam
Como ele resolve o problema? Simples: DIMINUINDO O PREÇO. Com a maçã mais barata, muita gente que não queria comprar maçã, agora, vai ficar tentada a comprar, pra aproveitar o preço baixo. Mais gente disposta a comprar maçãs significa que o estoque vai diminuir rápido, resolvendo o problema.

Da mesma forma que no primeiro caso, neste caso o mercado diminuiu o preço não por bondade, altruísmo; ele diminuiu o preço porque PRECISAVA DIMINUIR. Era isso ou perder todo o estoque. Dá pra dizer que a diminuição do preço é como se o mercado estivesse dizendo: TEM MAÇÃ SOBRANDO, PESSOAL! POR FAVOR, LEVEM ESSAS MAÇÃS ANTES QUE APODREÇAM!



As duas situações foram desenhadas levando em conta apenas o estoque. Mas poderiamos levar em conta, também, o número de pessoas dispostas a comprar maçã.




EXEMPLO 3: Imaginemos que, por exemplo, saia uma notícia no jornal dizendo que comer maçãs torna as pessoas mais bonitas. Agora, vai ter mais gente querendo comprar maçã.

O mercado, assustado com tanta gente, e sabendo que não tem maçã para todo mundo, aumenta o preço, pra espantar as pessoas em excesso. Mensagem: NÃO TEM MAÇÃS PARA TODOS VOCÊS! ALGUNS DE VOCÊS PRECISAM IR EMBORA!





EXEMPLO 4: Se, ao contrário, sai uma notícia no jornal dizendo que comer maçãs causa câncer, agora, as pessoas ficam assustadas e resolvem parar de comer maçã.

O mercado, vendo que as pessoas pararam de comprar maçã, e sabendo que as maçãs vão apodrecer se ninguém comprar, agora resolve diminuir o preço, para atrair as pessoas. Mensagem: POR FAVOR, COMPREM ESSAS MAÇÃS! TEM MAÇÃ SOBRANDO!







O que impede que o mercado aumente o preço mais do que o necessário?

Resposta: os concorrentes.



EXEMPLO 5: Se o mercado A coloca as maçãs a R$10,00 o kg, e o concorrente coloca o preço a R$3,00, o mercado A vai ficar sem clientes! Simples assim! As pessoas não estarão dispostas a comprar maçãs pelo preço que o mercado A está cobrando, e irão abandoná-lo! O estoque vai ficar parado, as maçãs irão apodrecer e, com o tempo, o mercado A será forçado a baixar o preço; ou terá de desistir de vender maçãs.

Enquanto há concorrência, há a garantia de que os preços não subirão mais do que o necessário. Se os preços subirem mesmo com concorrência, então é porque os estoques estão baixos demais, e não tem como atender a todo mundo! Não existe outra explicação!

Agora, se o preço ideal da maçã é R$3,00, e surge um concorrente vendendo as maçãs a R$1,50, então este concorrente vai receber uma chuva de pessoas que irão limpar o estoque rápido demais, deixando o mercado sem maçãs. Considerando que não vai dar tempo de repor o estoque, e as pessoas continuarão procurando maçãs, o que vai acontecer é que as pessoas virão a este mercado, não vão encontrar as maçãs e irão ao concorrente que tem maçãs disponíveis, mas ao preço de R$ 3,00!


Por causa disso, baixar o preço demais também é ruim! O preço baixo leva ao desaparecimento dos estoques e à perda de clientes. Por causa disso, empresas que trabalham em cima de preço não duram.



QUANDO O GOVERNO SE INTROMETE...



Acima, eu ilustrei todas as situações possíveis em um mercado onde o governo não se mete. Agora, vamos ver o que acontece quando o governo entra na história com suas intervenções.




EXEMPLO 6: Peguemos a primeira situação. Os estoques de maçãs diminuíram, as pessoas continuam querendo comprar maçãs, e o mercado, para não ficar sem estoque, resolve AUMENTAR O PREÇO, para afugentar uma parte das pessoas. Com essa medida, o mercado vai continuar fornecendo maçãs só a quem realmente está interessado em comprar. Essas pessoas, que realmente precisam de maçã, terão sua necessidade atendida, e as outras, que não precisam tanto de maçãs, procurarão outras frutas.


Agora, imaginemos que o governo veja o preço das maçãs aumentar e pense: os mercados são malvados e gananciosos, e querem se aproveitar da crise das maçãs para lucrar, aumentando o preço! Vou baixar um decreto exigindo que os preços das maçãs não sejam aumentados! Quem furar o decreto vai preso!

O que irá acontecer? O mercado vai ser obrigado a continuar vendendo as maçãs ao mesmo preço, ainda que o estoque esteja baixo. As pessoas continuarão comprando como se nada tivesse acontecido. Resultado: o estoque de maçãs vai terminar rápido demais. Todo mundo vai ficar sem maçã!
Cadê as maçãs???



Aquelas pessoas que realmente precisavam de maçãs (tem gente que, por questão de saúde, precisa consumir uma dose diária de maçã) ficarão sem maçãs!

O governo tentou segurar o preço da maçã usando a força e, como consequência, todo mundo ficou sem maçãs!




EXEMPLO 7: Peguemos a segunda situação agora. Muito estoque de maçãs, os mercados resolvem diminuir o preço para tentar vender o excesso, e as pessoas resolvem aproveitar o preço baixo para comprar mais maçãs.



O governo, vendo essa situação, resolve criar um imposto sobre a venda de maçãs. Com isso, os mercados ficam sem condição de baixar o preço, e permanecem vendendo as maçãs ao mesmo preço. 

Resultado: o estoque de maçãs não é vendido, as maçãs apodrecem e os mercados resolvem parar de comprar maçãs pra revender. Os agricultores que produzem maçãs ficam sem ter quem compre suas maçãs, e ficam obrigados a produzir outra coisa.



Novamente, as pessoas que precisam de maçãs, no final das contas, ficarão sem! O governo, mais uma vez, com sua intervenção, deixou as pessoas sem maçãs.



Por último, falemos da concorrência.




EXEMPLO 8: O que impede os mercados de aumentarem os preços mais do que o necessário é a existência do concorrente. Enquanto existe concorrência, os mercados ficam impedidos de aumentar os preços mais do que o preço ideal.

Por outro lado, se algum mercado vende maçãs a um preço abaixo do ideal, ele vai atrair mais gente do que pode atender, vai ficar sem maçãs e, no futuro, ficará sem clientes!




No final das contas, todo mundo precisa manter os preços o mais próximo possível do preço ideal; nem mais, nem menos!





Agora, imaginemos que o governo (novamente ele, caralho!) cria uma lei que faz com que a maioria dos mercados de maçãs feche! Ou, ainda, uma lei que diga que só mercados que atendam a uma série de requisitos podem vender maçãs! 

Ele pode, por exemplo, dizer que vender maçãs sem refrigeração adequada, sem equipamentos adequados, ou qualquer outra exigência estúpida, pode trazer riscos à população. Tais equipamentos são caros demais. Mercados pequenos não conseguirão comprá-los. Resultado, eles páram de vender maçãs!



Fica só uma meia dúzia de mercados grandes vendendo maçãs!




Com isso, a concorrência é destruída, ou diminuída. Com menos concorrência, os mercados poderão praticar preços maiores que o ideal, porque sabem que os consumidores não têm para onde fugir! Ou compram deles, ou ficam sem maçãs!

Como vai ter gente demais procurando estes mercados, e como eles não vão poder atender a todo mundo, então eles começam a AUMENTAR O PREÇO A NÍVEIS ABSURDOS! Eles precisam afugentar toda essa gente! 

Ou, ainda, começam a piorar o serviço, começam a atender mal, começam a vender maçãs podres de propósito, deixam as maçãs ficarem cercadas de moscas DE PROPÓSITO, na tentativa de afugentar o excesso de gente.

Ou seja: O governo reduziu o número de pessoas que vendem maçãs, usando uma desculpa qualquer. O resultado é que os preços das maçãs chegaram a níveis estratosféricos, e a qualidade das maçãs vendidas caiu a níveis inacreditáveis!






O texto usou o exemplo das maçãs para ilustrar o que ocorre quando o governo se mete no sistema de preços. O exemplo das maçãs pode se aplicar a qualquer outro produto. As consequências são sempre as mesmas: preços altíssimos, produtos de má qualidade, produtos que desaparecem das prateleiras e deixam as pessoas na mão, empresas que fecham as portas por não conseguirem atender às exigências do governo, e todo mundo fica puto.

Exemplos na nossa realidade não faltam: telefonia, aviação, construção civil, rodovias, serviços hospitalares, e por aí vai. Os preços estratosféricos de alguns destes serviços, bem como os serviços de qualidade ruim se devem exclusivamente às intevenções do governo, leis estúpidas, impostos e outras merdas. Não fosse o governo se intrometer nestes mercados, a qualidade dos serviços seria outra. E os preços idem.

Esquerdistas clamam por mais leis, mais intervenções do governo, mais serviços gratuitos. Quinta feira haverá uma greve geral, pedindo coisas do tipo. Quanta ignorância, meu Deus!

Francamente, me dá um desânimo de saber que a maioria das pessoas jamais irá se tocar para os conceitos básicos de economia que eu postei neste artigo. Você há de convir comigo que não é tão difícil assim entender o sistema de preços, e o porquê de as intromissões do governo só atrapalharem o processo. 

Mas protestar é mais fácil do que usar o cérebro. Infelizmente, pensar dói. Para felicidade dos políticos corruptos.

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